quinta-feira, agosto 03, 2006

love or hate?


Sufoco em tristeza,
Grito no eco do silêncio o quanto odeio amar-te,
Ninguém me ouve.
Como é possivel amar alguém que se conheceu em sonhos??
Alguém que não é real...
Mas neste infinito céu negro coberto pela escuridão na noite, onde apenas há espaço para meia centena de estrelas... as lágrimas frias e salgadas que me escorrem pelo rosto confundem-se com as estrelas... mas o luar reflete em cada onda do mar, deitados na areia fria e húmida pela brisa da noite estão casais apaixonados. Mas eu ali sózinha com a tristeza estampada no rosto questiono-me: há quanto tempo dura? Quanto tempo durará? Existe alguma coisa que seja para sempre? Penso... penso e sinto morrer um pouco de mim a cada lágrima que cai. A tristeza estava a ser derramada, mas o ódio, aquele ódio de amar alguém que mal sabe que existo crescia dentro de mim como um bolo com fermento. Mais uma vez tentava sorrir e continuar em frente, mas tropeçava em cada duna da areia, uma vez que as lágrimas não me deixavam ver claro, caí... caí e não tive forças para me levantar... fiquei ali tanto tempo na areia fina e branca... que comecei a senti-la (como tudo o resto) a passar-me entre as mãos, sentia-me frágil e inútil. Foi então no entardecer que adormeci ali mesmo, passado algum tempo sonhei que estava naquela mesma praia à noite, a contar as estrelas como todos os outros casais e a jurar amor eterno, as boxechas doiam-me de tanta felecidade... e foi então que no rebentar de uma onda, com o subir da maré que acordei. Tinha acabado de deixar um sonho a meio e mais uma vez questionava-me: será que poderei um dia acabar de sonhar mas acordada?? Eu quero este sonho para mim! Quero ser feliz...
Veio outra onda que com ela trouxe um raiu de sol que acordava, o sol tava ali! Mais um dia e ele continuava laranja e quente. Mas não o suficiente para fazer derreter a frieza que me congelava. Foi então que reparei que o amor é como uma miragem... toda agente o vê, mas ninguém o agarra, algo mesmo que não existe mas no qual nós acreditamos tanto quanto na nossa prórpia vida, algo que nos engana e faz sofrer, mas mesmo assim nós levantamo-nos mais um dia e continuamos em frente crédulos de que algum dia o agarraremos. Mas vale apena sofrer por alguém??? Sofrer por alguém que mal nos conhece, mas que mesmo sabendo que estamos a sofrer nos deixa ali a apodrecer a pensar nela. E é assim que eu continuo a sufocar na amarga tristeza e gritar no eco do silêncio de alguém, o quanto doloroso é odiar amar quem amo, que parece inocentemente amar odeiar-me! Grito... grito... mas ninguém ouve!


30 de Julho de 2006,
Ana Querido